Capítulo 5 – Ataque de Nervos
Quando Hornildo era apenas um garoto, era admirado por seus amigos e colegas de classe por seus vastos conhecimentos no mundo das HQ’s. Aos nove anos sabia dizer nome e sobrenome de cada super herói, seus poderes e fraquezas. Ele era o oráculo de seus amigos que queriam ler algo legal de forma esporádica. Claro, isso até entrar a adolescência e os quadrinhos passarem do status de “super supimpa” à uma atividade de perdedores. Isso não significa que Horn tenha deixado de lê-las, claro que não. Apenas que deixou de se vangloriar por isso. Resolveu substituir a contagem de edições do Homem-Aranha que possuía para a contagem de garotas que havia beijado.
Foi durante essa época que ele descobriu uma alternativa aos quadrinhos de super-heróis que já começavam a entediá-lo: as revistas de ficção científica. Contos, relatos, crônicas, HQ’s sobre um novo universo que conseguiu engolir a fascinação de Horn com exímia facilidade. Desde os treze anos devorava aquelas histórias fantasmagóricas sobre criaturas e tecnologias de outros mundos. Fizera daquele mundo, seu mundo enquanto escapava um pouquinho da realidade adolescente.
Isso explicaria bastante o porquê das pernas do coiote começarem a tremer ao ver aquela monumental nave. Isso e o fato de ele não ter jantado direito. Ele precisou ser cutucado três vezes por Hopkins até conseguir voltar a si e continuar andando. “É pra hoje!”. Continuaram por aquela plataforma, uma das muitas que circundavam em espiral a nave. Passaram por dezenas de outras pessoas de jaleco branco, mas nenhuma parecia dar muita atenção aos visitantes, no máximo murmuravam um “boa noite, senhora Thompson.” que não era retribuído. Não demorou muito para a raposa prateada parar em frente de uma porta. Esta era norma, de madeira, com maçaneta e tudo.
-Esperem aqui fora. – Disse ela, abrindo a porta – Pra dentro vocês três. – Adicionou, com um gesto fugaz. Os três deram uma última olhada na nave espacial (parecia que estivesse prestes a entrar em ignição a qualquer momento ou algo assim) e a acompanharam. A porta se fechou à suas costas. – Bem vindos ao meu escritório. – Disse ela com uma voz mais arrastada que o normal. Um pequeno esforço para que entendessem seu sarcasmo, pensou Horn. “Não precisava”.
Não era muito grande, mas dava pra notar o quão bem aproveitado era o espaço. Nada parecia estar fora do lugar, nenhum dos vários arquivadores, arquivos empilhados no chão e sobre a brilhante mesa onde a senhora Thompson começara a abrir um caderno demasiado grosso para um estudante do colegial levar na mochila.
-Vou ser bem direta, e dizer isso já me tira boa parte da dinâmica, mas dá pra ver que vocês não são as pessoas melhor dotadas do mundo. – Começou a raposa. Ela parecia ter algum problema com olhar para as pessoas enquanto falava. Ou simplesmente o fazia para dar nos nervos. – A sala está insonorizada, a porta muito bem vigiada por meus melhores homens e o idiota do Hopkins e minha sala é o único espaço fechado que não é vigiado por uma câmera e um microfone em toda esta base. – Fez uma pausa enquanto lia a página que procurava. – Isso quer dizer que vocês podem parar de palhaçada e me dizer quem são vocês de verdade.
-E-Eu disse, nós somos… – Começou Horn. Ou melhor, começou mal Horn.
-Você daria um péssimo ator, garoto, por favor, não tente. Tais atentados à minha inteligência me dão dor de cabeça. – Horn sentiu a garganta ainda mais seca. – Além do que, vocês estão falando com uma agente da KGB, eu acho que saberia se quisessem enviar uma trupe de malucos como homens-bomba pra base onde EU estou infiltrada. Então… – Ela chocou a língua contra os dentes e jogou o caderno numa página em branco sobre sua mesa, ao mesmo tempo em que tirava de um bolso interno de seu jaleco uma pistola. – Quero nomes, e os quero já.
-É só isso? – Indagou Ió, olhando feio pra pistola da raposa. – Eu sou Ió, este é Marc e o maluco mentiroso aqui é o Hornildo…
-Ió, cala essa boca! – Exclamou o coiote, desta vez nem percebendo que ela havia dito seu nome inteiro. – E… Senhora, por favor, seja racionável, como vai explicar que…
-Prisioneiros revoltosos, defesa própria, blá blá, blá. E mesmo sem essas desculpas, eu poderia matar vocês sem ter que responder nenhuma pergunta. Mas acreditem, dependendo da resposta que vocês me darem, vocês podem até se dar bem.
-Olha, tia, o que a gente falou lá traz é tudo verdade. Viemos aqui pela curiosidade. – Tentou se explicar Marc. – Bah, é tão difícil de entender? Olha só esse bicho que vocês têm lá fora! É tri demais!
-Cale-se. – Limitou-se a dizer a raposa, abaixando o olhar para anotar algo em seu caderno.
-Marc, deixa isso comigo! – Interferiu Horn, desesperado, quase sem conseguir tirar os olhos da pistola para olhar seu companheiro.
-Não, guri, não vou deixar pra ti! Não enquanto ela não ouvir o que eu tenho a…
A explosão da pistola da senhora Thompson pareceu dez vezes mais ensurdecedora que os fuzis que empunharam seus amigos hippies lá fora meia hora atrás. Horn e Ió assistiram, incrédulos, como Marc caía no chão, quase em câmera lenta, uma mancha de sangue saltando de seu peito. A garganta de Ió demorou para reagir, uns dois ou três eternos segundos, até desferir aquele grito. O primeiro grito de terror que Horn ouvia sair dela.
-Talvez esta língua vocês sim entendam. Vocês não são importantes, posso matar a dois e torturar o terceiro até tirar tudo o que quiser dele. Ou também poderia matar os três, mas um pouquinho de informação sempre deixa meus superiores felizes. – Ela fez uma pausa, aproveitando para levantar os óculos que novamente caíam de seu focinho. Os gemidos e tossidas de Marc tomaram conta da sala. – Portanto, crianças, colaborem. Você, o criativo. – Virou a cabeça a Horn, quem não sabia se arriscar-se ou não a agachar-se ao lado de Marc. – Você tem cinco segundos para começar a me dizer, pra começar, para quê organização, companhia ou país vocês, malucos, trabalham. Cinco segundos, senão atiro nela. Cinco. Quatro.
Ela estava falando sério. Precisava inventar algo… E por que não dizer a verdade, pensou ele. Mas lembrou-se que não sabia qual era a verdade.
-Eu não sei! Estou aqui por minha mãe! Vim garantir que nem ela nem meus irmãos saíssem machucados desta loucura!
-Três. Dois.
-Hornildo! – Chorou Ió. A voz chorosa da loba fez com que Hornildo sentisse um nó formar-se em sua garganta. Lágrimas invadiram seus olhos.
-É A VERDADE!! Minha mãe me arrastou pra este grupo de hippies malucos! Eu só fui descobrir que eles iam atacar uma base militar hoje! Não, pelo amor de Deus, NÃO A MATE!!
-Um… É uma pena, garota. Teu namorado não se importa tanto contigo. – Sentenciou a raposa, apertando o gatilho.
O som da nova explosão do revólver não foi, porém, o único estrondo que invadiu a sala. O teto, pouco antes da senhora Thompson ter apertado o gatilho, simplesmente explodiu numa densa nuvem de fumaça amarelada. Entre vários pedaços do teto e uma grade do ar condicionado, também despencou um vulto, o qual derrubou a raposa no chão, fazendo o disparo se desviar, não muito, mas o suficiente para apenas raspar a pelagem de Ió. A loba engasgou num soluço e limitou-se a assistir a fumaça se dispersando, encobrindo a luta entre a raposa alva e o vulto.
-MÃE?! – Gritou Horn quando a inconfundível cabeleira de sua mãe foi suficientemente distinguível no meio da fumaça.
Ela não respondeu. Estava ocupada demais tentando manter afastada a pistola que a raposa insistia em empunhar firmemente e que disparava aleatoriamente no teto ou nas paredes. A senhora Thompson lutava, tentando se libertar a base de joelhadas e cabeçadas, mas era revidada com potentes mordidas da coiote, quem batia uma e outra vez a mão da raposa contra a parede, até finalmente conseguir fazê-la soltar a arma. Com uma cabeçada particularmente potente, a raposa consegue se livrar das garras da mãe de Horn e se joga no chão em busca de sua arma. Mas é impedida por um rápido puxão na gola de seu jaleco. Com seu peso, porém, ambas acabam caindo no chão, iniciando então uma troca de tapas e arranhões, a arma cada vez mais perto…
-PARE AGORA MESMO! Deixa minha mãe em paz! – Berrou Horn, apontando a arma da raposa para a própria. O revólver tremia em suas mãos, sua voz falhava, mas ele tinha a arma. A arma e um medo que, por milagre, ainda não o fez cair no choro.
-Ah, merda…
-LEVANTA DAÍ! JÁ! – Voltou a berrar, sem se importar com a dor infernal em sua garganta seca. – Levanta daí ou eu juro que te faço pagar pelo Marc AGORA!
-Querido, acho melhor você me dar essa arma. – Disse sua mãe, levantando-se e estendendo a mão para seu filho lhe entregar a arma. Aquela que tremia, nada firmemente, nas mãos de um garoto à beira de um ataque de nervos.
-NÃO! Não enquanto vocês duas não me contarem que merda é esta! Em quê você me meteu, mãe? Esta maldita quase nos mata! Ela atirou no Marc! Nós quase fomos mortos lá fora! E os outros… Por Deus, meus irmãos devem estar mortos agora! MORTOS! E por quê? PRA QUÊ?! – Já não apontava para nada com a pistola, gesticulava energética e perigosamente, as lágrimas escorrendo por seu rosto. – Por que você nos arrastou até aqui, mãe? Você nos tirou de casa pra morrer! Só eu vejo que isto é uma loucura? Só eu vejo que você virou uma maluca depois que o papai morreu?! SOU O ÚNICO NESTA MERDA QUE NÃO QUER MORRER SEM SABER O MOTIVO?
Um tapa, e então silêncio. Horn sentiu seu rosto esquentar bastante, mas não doer. Parecia já estar imune à dor. Como um super-herói de verdade. Esse pensamento deve ter parecido bem engraçado para ele, porque começou a rir. Gargalhar. Gargalhava enquanto as lágrimas escorriam como nunca de seus olhos fitando o nada. Deixou-se abraçar, então, por sua mãe, e chorou pela primeira vez desde que morrera seu pai.
Quando Hornildo era apenas um garoto, era admirado por seus amigos e colegas de classe por seus vastos conhecimentos no mundo das HQ’s. Aos nove anos sabia dizer nome e sobrenome de cada super herói, seus poderes e fraquezas. Ele era o oráculo de seus amigos que queriam ler algo legal de forma esporádica. Claro, isso até entrar a adolescência e os quadrinhos passarem do status de “super supimpa” à uma atividade de perdedores. Isso não significa que Horn tenha deixado de lê-las, claro que não. Apenas que deixou de se vangloriar por isso. Resolveu substituir a contagem de edições do Homem-Aranha que possuía para a contagem de garotas que havia beijado.
Foi durante essa época que ele descobriu uma alternativa aos quadrinhos de super-heróis que já começavam a entediá-lo: as revistas de ficção científica. Contos, relatos, crônicas, HQ’s sobre um novo universo que conseguiu engolir a fascinação de Horn com exímia facilidade. Desde os treze anos devorava aquelas histórias fantasmagóricas sobre criaturas e tecnologias de outros mundos. Fizera daquele mundo, seu mundo enquanto escapava um pouquinho da realidade adolescente.
Isso explicaria bastante o porquê das pernas do coiote começarem a tremer ao ver aquela monumental nave. Isso e o fato de ele não ter jantado direito. Ele precisou ser cutucado três vezes por Hopkins até conseguir voltar a si e continuar andando. “É pra hoje!”. Continuaram por aquela plataforma, uma das muitas que circundavam em espiral a nave. Passaram por dezenas de outras pessoas de jaleco branco, mas nenhuma parecia dar muita atenção aos visitantes, no máximo murmuravam um “boa noite, senhora Thompson.” que não era retribuído. Não demorou muito para a raposa prateada parar em frente de uma porta. Esta era norma, de madeira, com maçaneta e tudo.
-Esperem aqui fora. – Disse ela, abrindo a porta – Pra dentro vocês três. – Adicionou, com um gesto fugaz. Os três deram uma última olhada na nave espacial (parecia que estivesse prestes a entrar em ignição a qualquer momento ou algo assim) e a acompanharam. A porta se fechou à suas costas. – Bem vindos ao meu escritório. – Disse ela com uma voz mais arrastada que o normal. Um pequeno esforço para que entendessem seu sarcasmo, pensou Horn. “Não precisava”.
Não era muito grande, mas dava pra notar o quão bem aproveitado era o espaço. Nada parecia estar fora do lugar, nenhum dos vários arquivadores, arquivos empilhados no chão e sobre a brilhante mesa onde a senhora Thompson começara a abrir um caderno demasiado grosso para um estudante do colegial levar na mochila.
-Vou ser bem direta, e dizer isso já me tira boa parte da dinâmica, mas dá pra ver que vocês não são as pessoas melhor dotadas do mundo. – Começou a raposa. Ela parecia ter algum problema com olhar para as pessoas enquanto falava. Ou simplesmente o fazia para dar nos nervos. – A sala está insonorizada, a porta muito bem vigiada por meus melhores homens e o idiota do Hopkins e minha sala é o único espaço fechado que não é vigiado por uma câmera e um microfone em toda esta base. – Fez uma pausa enquanto lia a página que procurava. – Isso quer dizer que vocês podem parar de palhaçada e me dizer quem são vocês de verdade.
-E-Eu disse, nós somos… – Começou Horn. Ou melhor, começou mal Horn.
-Você daria um péssimo ator, garoto, por favor, não tente. Tais atentados à minha inteligência me dão dor de cabeça. – Horn sentiu a garganta ainda mais seca. – Além do que, vocês estão falando com uma agente da KGB, eu acho que saberia se quisessem enviar uma trupe de malucos como homens-bomba pra base onde EU estou infiltrada. Então… – Ela chocou a língua contra os dentes e jogou o caderno numa página em branco sobre sua mesa, ao mesmo tempo em que tirava de um bolso interno de seu jaleco uma pistola. – Quero nomes, e os quero já.
-É só isso? – Indagou Ió, olhando feio pra pistola da raposa. – Eu sou Ió, este é Marc e o maluco mentiroso aqui é o Hornildo…
-Ió, cala essa boca! – Exclamou o coiote, desta vez nem percebendo que ela havia dito seu nome inteiro. – E… Senhora, por favor, seja racionável, como vai explicar que…
-Prisioneiros revoltosos, defesa própria, blá blá, blá. E mesmo sem essas desculpas, eu poderia matar vocês sem ter que responder nenhuma pergunta. Mas acreditem, dependendo da resposta que vocês me darem, vocês podem até se dar bem.
-Olha, tia, o que a gente falou lá traz é tudo verdade. Viemos aqui pela curiosidade. – Tentou se explicar Marc. – Bah, é tão difícil de entender? Olha só esse bicho que vocês têm lá fora! É tri demais!
-Cale-se. – Limitou-se a dizer a raposa, abaixando o olhar para anotar algo em seu caderno.
-Marc, deixa isso comigo! – Interferiu Horn, desesperado, quase sem conseguir tirar os olhos da pistola para olhar seu companheiro.
-Não, guri, não vou deixar pra ti! Não enquanto ela não ouvir o que eu tenho a…
A explosão da pistola da senhora Thompson pareceu dez vezes mais ensurdecedora que os fuzis que empunharam seus amigos hippies lá fora meia hora atrás. Horn e Ió assistiram, incrédulos, como Marc caía no chão, quase em câmera lenta, uma mancha de sangue saltando de seu peito. A garganta de Ió demorou para reagir, uns dois ou três eternos segundos, até desferir aquele grito. O primeiro grito de terror que Horn ouvia sair dela.
-Talvez esta língua vocês sim entendam. Vocês não são importantes, posso matar a dois e torturar o terceiro até tirar tudo o que quiser dele. Ou também poderia matar os três, mas um pouquinho de informação sempre deixa meus superiores felizes. – Ela fez uma pausa, aproveitando para levantar os óculos que novamente caíam de seu focinho. Os gemidos e tossidas de Marc tomaram conta da sala. – Portanto, crianças, colaborem. Você, o criativo. – Virou a cabeça a Horn, quem não sabia se arriscar-se ou não a agachar-se ao lado de Marc. – Você tem cinco segundos para começar a me dizer, pra começar, para quê organização, companhia ou país vocês, malucos, trabalham. Cinco segundos, senão atiro nela. Cinco. Quatro.
Ela estava falando sério. Precisava inventar algo… E por que não dizer a verdade, pensou ele. Mas lembrou-se que não sabia qual era a verdade.
-Eu não sei! Estou aqui por minha mãe! Vim garantir que nem ela nem meus irmãos saíssem machucados desta loucura!
-Três. Dois.
-Hornildo! – Chorou Ió. A voz chorosa da loba fez com que Hornildo sentisse um nó formar-se em sua garganta. Lágrimas invadiram seus olhos.
-É A VERDADE!! Minha mãe me arrastou pra este grupo de hippies malucos! Eu só fui descobrir que eles iam atacar uma base militar hoje! Não, pelo amor de Deus, NÃO A MATE!!
-Um… É uma pena, garota. Teu namorado não se importa tanto contigo. – Sentenciou a raposa, apertando o gatilho.
O som da nova explosão do revólver não foi, porém, o único estrondo que invadiu a sala. O teto, pouco antes da senhora Thompson ter apertado o gatilho, simplesmente explodiu numa densa nuvem de fumaça amarelada. Entre vários pedaços do teto e uma grade do ar condicionado, também despencou um vulto, o qual derrubou a raposa no chão, fazendo o disparo se desviar, não muito, mas o suficiente para apenas raspar a pelagem de Ió. A loba engasgou num soluço e limitou-se a assistir a fumaça se dispersando, encobrindo a luta entre a raposa alva e o vulto.
-MÃE?! – Gritou Horn quando a inconfundível cabeleira de sua mãe foi suficientemente distinguível no meio da fumaça.
Ela não respondeu. Estava ocupada demais tentando manter afastada a pistola que a raposa insistia em empunhar firmemente e que disparava aleatoriamente no teto ou nas paredes. A senhora Thompson lutava, tentando se libertar a base de joelhadas e cabeçadas, mas era revidada com potentes mordidas da coiote, quem batia uma e outra vez a mão da raposa contra a parede, até finalmente conseguir fazê-la soltar a arma. Com uma cabeçada particularmente potente, a raposa consegue se livrar das garras da mãe de Horn e se joga no chão em busca de sua arma. Mas é impedida por um rápido puxão na gola de seu jaleco. Com seu peso, porém, ambas acabam caindo no chão, iniciando então uma troca de tapas e arranhões, a arma cada vez mais perto…
-PARE AGORA MESMO! Deixa minha mãe em paz! – Berrou Horn, apontando a arma da raposa para a própria. O revólver tremia em suas mãos, sua voz falhava, mas ele tinha a arma. A arma e um medo que, por milagre, ainda não o fez cair no choro.
-Ah, merda…
-LEVANTA DAÍ! JÁ! – Voltou a berrar, sem se importar com a dor infernal em sua garganta seca. – Levanta daí ou eu juro que te faço pagar pelo Marc AGORA!
-Querido, acho melhor você me dar essa arma. – Disse sua mãe, levantando-se e estendendo a mão para seu filho lhe entregar a arma. Aquela que tremia, nada firmemente, nas mãos de um garoto à beira de um ataque de nervos.
-NÃO! Não enquanto vocês duas não me contarem que merda é esta! Em quê você me meteu, mãe? Esta maldita quase nos mata! Ela atirou no Marc! Nós quase fomos mortos lá fora! E os outros… Por Deus, meus irmãos devem estar mortos agora! MORTOS! E por quê? PRA QUÊ?! – Já não apontava para nada com a pistola, gesticulava energética e perigosamente, as lágrimas escorrendo por seu rosto. – Por que você nos arrastou até aqui, mãe? Você nos tirou de casa pra morrer! Só eu vejo que isto é uma loucura? Só eu vejo que você virou uma maluca depois que o papai morreu?! SOU O ÚNICO NESTA MERDA QUE NÃO QUER MORRER SEM SABER O MOTIVO?
Um tapa, e então silêncio. Horn sentiu seu rosto esquentar bastante, mas não doer. Parecia já estar imune à dor. Como um super-herói de verdade. Esse pensamento deve ter parecido bem engraçado para ele, porque começou a rir. Gargalhar. Gargalhava enquanto as lágrimas escorriam como nunca de seus olhos fitando o nada. Deixou-se abraçar, então, por sua mãe, e chorou pela primeira vez desde que morrera seu pai.
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