E eis que renasce das cinzas...
Conto dedicado à
furrybob, porque ele é megaboga
CAPÍTULO 3
-Não sou obrigado a dizer nada! – A voz do esquilo com o braço colado contra sua lombar numa posição nada confortável ecoou pelo sombrio beco ao qual lhe haviam empurrado aqueles dois policiais. O sol já ameaçava chegar a seu ponto mais alto, eliminando pouco a pouco a intimidade que se respirava nas sombras proporcionadas pela parede de tijolos gastos e úmidos.
-Ah, não? – Murmurou Bob, quase num grunhido. Ele encarava sua vitima de frente, os braços cruzados e a coluna bem ereta, incrementando sua vantagem vertical, enquanto que seu parceiro o imobilizava firmemente atrás dele. – Você agrediu um oficial da lei e insultou a outro. É motivo mais que suficiente para te deixar um tempinho lá no DP, seu moleque! – rugiu ele tranqüila, porém firmemente. – Então é melhor colaborar conosco e responder tudo direitinho.
-Bah, Tom é meu amigo, umas horinhas atrás das grades até que meus pais venham me buscar não se compara a dedurá-lo! – Sem olhar para o rosto ameaçador de Bob, o esquilo manteve sua voz firme. – Além do que, não tenho nada pra falar pra vocês.
O tigre respirou profundamente, reprimindo a louca vontade que tinha de descer um tabefe naquele rosto prepotente e menor de idade.
-A tua atitude foi drástica o suficiente pra me deixar claro que tem algo grande por trás desta historinha. E, além do que... – Preocupando-se de não exercer demasiada forca, Bob pega o maxilar do esquilo e o obriga a encará-lo nos olhos – o fato de ter usado esse teu poderzinho significa que está mais que por dentro dos esquemas de teus amiguinhos. – Sorriu ameaçadoramente, revelando suas afiadas presas. Edward estremeceu-se atrás do esquilo, mas tentou disfarçar. – Colabore e você irá pra casa com uma história pra contar para teus colegas marginais. O que é esse poder de vocês?
Com um movimento algo hesitante, ele livra seu rosto do aperto de Bob e, corajosamente, encara os olhos felinos com petulância, apesar de não poder esconder algo do medo.
-Não e da tua conta! Além do que, nem estou mais com o Tom, estou limpo! Me deixa ir embora! – Ele começa a se debater, tentando soltar-se da técnica de Edward, mas desiste ao sentir uma incrível dor em seu ombro.
-Esses moleques malditos queimaram minha casa e me roubaram, é sim da minha conta! – Bob sorriu por dentro. Ele estava fraquejando, apesar de tudo. A expressão do esquilo mudou para uma curiosidade estranha.
-Jura? Eles foram à tua casa? – Ele deixa escapar uma risadinha debochada – Tsc, que imbecis! Fiz bem em abandonar esse rolo todo na hora certa. – ele se dedicou a sorrir por uns instantes, enquanto olhava para seus cadarços. – Olha, eles bem que merecem ser pegos... Por idiotas.
-Então não tem problema em nos contar, né? – Arriscou-se em perguntar Edward, com uma voz nada firme. Bob lhe dedica uma cara amarrada.
-Heh, agora que eu penso... Isso pode ser divertido. – Uma estranha sombra encobre a expressão cruel que habitava o rosto do esquilo, seus piercings reluzindo quando a luz voltou a tocá-los diretamente. – Duvido muito que vocês possam fazer alguma coisa. Pelo menos a tempo.
-Esse papo já está me deixando nervoso. – Bob aproxima sua cara amarrada, as presas a mostra numa de suas caras mais ameaçadoras, daquelas que tanto treinara na frente do espelho às manhãs. Quando acabava de acordar sempre lhe saíam melhor, mas aquela não deixava nada a desejar. – Vou te dar dez segundos para começar a nos contar tudo o que sabe. Senão você passará o máximo de tempo possível na pior cela que tivermos.
- Ei, ei, relaxa, cara... – Disse, com voz trêmula. Bob sorriu e deixou de fitá-lo com aquela expressão. Cruzou os braços e, com um gesto com a cabeça, pediu para que começasse a falar. – Conheci o Tom há um par de anos, num fórum da internet. Lá, debatíamos bastante sobre RPG, magias e rituais. No começo foi algo desinteressado, mas depois descobrimos alguns rituais reais e começamos a brincar com magia negra. Até que, um mês atrás, o Tom conheceu esses caras.
“Eu desde o começo achei que aquilo poderia dar merda, mas o acompanhei nos encontros. Eles nos ensinaram sobre uma organização oculta da idade média, a qual pesquisava uma forma de derrubar a igreja católica e impor suas crenças satânicas na população.” Ele soltou uma risadinha “Você sabe, a baboseira clichê de sempre. No começo não acreditava que aquilo fosse nos levar mais longe que as bobagens que fazíamos em casa com coisas baixadas da internet. Mas um par de semanas atrás eles nos ensinaram seu segredo: Um tipo de técnica de manipulação elemental.”
A imagem do fogo irrompendo do corpo do jovem explodiu em sua mente, lavando a incredulidade que aquela história começava a causar-lhe. Isso explicaria muitas coisas, mas... Ainda assim era absurdo! Edward se remexeu desconfortavelmente atrás do esquilo, afrouxando um pouco a imobilização. Bob tinha um milhão de perguntas por fazer, mas não conseguia articular a boca direito. Preferiu, então, deixar o garoto continuar:
-Nem tenho que dizer que ficamos super empolgados com aquilo! Nos esforçamos pra aprender aquela técnica. Não tão eficazmente quanto os outros, mas ainda assim de forma suficiente pra derrubar um policial, hein? – Comentou, com desdém. Bob o ignorou, mas Edward voltou a apertar-lhe o braço.
-E por que você caiu fora, se estava tão empolgado? – Perguntou Bob.
-Porque aqueles caras são um bando de malucos, por isso! – Murmurou ele, como se o estivesse dizendo para si mesmo. – Anteontem eles nos apresentaram aquele plano estranho. Queriam continuar o objetivo daquela seita e devolver ao seu Grão-Mestre a oportunidade de reger o destino da humanidade ou algo assim. O problema é que o último Grão-Mestre é mais velho que Colombo. Querem ressuscitá-lo, ou pelo menos invocar seu espírito de volta. – Ele fez uma pausa. – Vai ver foi pra isso que eles te roubaram. Você devia ter alguma coisa que lhes interessava pro ritual. – Deu um sorriso bem aberto ao ver o rosto de incredulidade e confusão de Bob. – E bem, aqui estou eu. Recusei na hora. Consegui esta habilidade fodástica e me é suficiente. Já o Tom... Aquele moleque é muito otário, resolveu ficar e participar daquilo.
As últimas palavras do esquilo ecoaram baixinho pelo beco até desaparecerem e dar lugar a um incômodo silêncio. Silêncio amenizado pelo mundo urbano, sempre em movimento, alheio àquela confusão toda na qual havia se metido Bob por causa de alguma coisa de sua tia Clóvis. O jovem olhava de um policial à outro.
-Er... É tudo o que sei. Podem me soltar agora?
-Quando?
-Quê?!
-Quando vai ser esse ritual? Você disse algo sobre não nos dar mais tempo. – O coração de Bob batia aceleradamente. Estava com um pressentimento terrível sobre tudo aquilo.
-Hmmm... – O esquilo olha distraidamente ao céu, no qual apenas algumas nuvens acinzentadas se moviam unilateralmente, aglomerando-se, deixando o dia nublado. – Hoje nas notícias disseram que ia fazer sol. – Abaixa a mirada, com um sorriso malicioso. – Já deve ter começado.
Bob se dedicou a encarar aqueles olhos esverdeados e a ofuscar-se ligeiramente com o brilho dos piercings que cobriam o rosto do esquilo antes de irromper para fora do beco, chocando seu ombro contra o dele, fazendo até mesmo Edward cambalear-se para trás. “Senhor Bob!” gritou ele, antes de empurrar o garoto e correr atrás de seu parceiro, em direção a viatura.
Aquilo não era nada bom.
CONTINUA
Conto dedicado à
furrybob, porque ele é megabogaCAPÍTULO 3
-Não sou obrigado a dizer nada! – A voz do esquilo com o braço colado contra sua lombar numa posição nada confortável ecoou pelo sombrio beco ao qual lhe haviam empurrado aqueles dois policiais. O sol já ameaçava chegar a seu ponto mais alto, eliminando pouco a pouco a intimidade que se respirava nas sombras proporcionadas pela parede de tijolos gastos e úmidos.
-Ah, não? – Murmurou Bob, quase num grunhido. Ele encarava sua vitima de frente, os braços cruzados e a coluna bem ereta, incrementando sua vantagem vertical, enquanto que seu parceiro o imobilizava firmemente atrás dele. – Você agrediu um oficial da lei e insultou a outro. É motivo mais que suficiente para te deixar um tempinho lá no DP, seu moleque! – rugiu ele tranqüila, porém firmemente. – Então é melhor colaborar conosco e responder tudo direitinho.
-Bah, Tom é meu amigo, umas horinhas atrás das grades até que meus pais venham me buscar não se compara a dedurá-lo! – Sem olhar para o rosto ameaçador de Bob, o esquilo manteve sua voz firme. – Além do que, não tenho nada pra falar pra vocês.
O tigre respirou profundamente, reprimindo a louca vontade que tinha de descer um tabefe naquele rosto prepotente e menor de idade.
-A tua atitude foi drástica o suficiente pra me deixar claro que tem algo grande por trás desta historinha. E, além do que... – Preocupando-se de não exercer demasiada forca, Bob pega o maxilar do esquilo e o obriga a encará-lo nos olhos – o fato de ter usado esse teu poderzinho significa que está mais que por dentro dos esquemas de teus amiguinhos. – Sorriu ameaçadoramente, revelando suas afiadas presas. Edward estremeceu-se atrás do esquilo, mas tentou disfarçar. – Colabore e você irá pra casa com uma história pra contar para teus colegas marginais. O que é esse poder de vocês?
Com um movimento algo hesitante, ele livra seu rosto do aperto de Bob e, corajosamente, encara os olhos felinos com petulância, apesar de não poder esconder algo do medo.
-Não e da tua conta! Além do que, nem estou mais com o Tom, estou limpo! Me deixa ir embora! – Ele começa a se debater, tentando soltar-se da técnica de Edward, mas desiste ao sentir uma incrível dor em seu ombro.
-Esses moleques malditos queimaram minha casa e me roubaram, é sim da minha conta! – Bob sorriu por dentro. Ele estava fraquejando, apesar de tudo. A expressão do esquilo mudou para uma curiosidade estranha.
-Jura? Eles foram à tua casa? – Ele deixa escapar uma risadinha debochada – Tsc, que imbecis! Fiz bem em abandonar esse rolo todo na hora certa. – ele se dedicou a sorrir por uns instantes, enquanto olhava para seus cadarços. – Olha, eles bem que merecem ser pegos... Por idiotas.
-Então não tem problema em nos contar, né? – Arriscou-se em perguntar Edward, com uma voz nada firme. Bob lhe dedica uma cara amarrada.
-Heh, agora que eu penso... Isso pode ser divertido. – Uma estranha sombra encobre a expressão cruel que habitava o rosto do esquilo, seus piercings reluzindo quando a luz voltou a tocá-los diretamente. – Duvido muito que vocês possam fazer alguma coisa. Pelo menos a tempo.
-Esse papo já está me deixando nervoso. – Bob aproxima sua cara amarrada, as presas a mostra numa de suas caras mais ameaçadoras, daquelas que tanto treinara na frente do espelho às manhãs. Quando acabava de acordar sempre lhe saíam melhor, mas aquela não deixava nada a desejar. – Vou te dar dez segundos para começar a nos contar tudo o que sabe. Senão você passará o máximo de tempo possível na pior cela que tivermos.
- Ei, ei, relaxa, cara... – Disse, com voz trêmula. Bob sorriu e deixou de fitá-lo com aquela expressão. Cruzou os braços e, com um gesto com a cabeça, pediu para que começasse a falar. – Conheci o Tom há um par de anos, num fórum da internet. Lá, debatíamos bastante sobre RPG, magias e rituais. No começo foi algo desinteressado, mas depois descobrimos alguns rituais reais e começamos a brincar com magia negra. Até que, um mês atrás, o Tom conheceu esses caras.
“Eu desde o começo achei que aquilo poderia dar merda, mas o acompanhei nos encontros. Eles nos ensinaram sobre uma organização oculta da idade média, a qual pesquisava uma forma de derrubar a igreja católica e impor suas crenças satânicas na população.” Ele soltou uma risadinha “Você sabe, a baboseira clichê de sempre. No começo não acreditava que aquilo fosse nos levar mais longe que as bobagens que fazíamos em casa com coisas baixadas da internet. Mas um par de semanas atrás eles nos ensinaram seu segredo: Um tipo de técnica de manipulação elemental.”
A imagem do fogo irrompendo do corpo do jovem explodiu em sua mente, lavando a incredulidade que aquela história começava a causar-lhe. Isso explicaria muitas coisas, mas... Ainda assim era absurdo! Edward se remexeu desconfortavelmente atrás do esquilo, afrouxando um pouco a imobilização. Bob tinha um milhão de perguntas por fazer, mas não conseguia articular a boca direito. Preferiu, então, deixar o garoto continuar:
-Nem tenho que dizer que ficamos super empolgados com aquilo! Nos esforçamos pra aprender aquela técnica. Não tão eficazmente quanto os outros, mas ainda assim de forma suficiente pra derrubar um policial, hein? – Comentou, com desdém. Bob o ignorou, mas Edward voltou a apertar-lhe o braço.
-E por que você caiu fora, se estava tão empolgado? – Perguntou Bob.
-Porque aqueles caras são um bando de malucos, por isso! – Murmurou ele, como se o estivesse dizendo para si mesmo. – Anteontem eles nos apresentaram aquele plano estranho. Queriam continuar o objetivo daquela seita e devolver ao seu Grão-Mestre a oportunidade de reger o destino da humanidade ou algo assim. O problema é que o último Grão-Mestre é mais velho que Colombo. Querem ressuscitá-lo, ou pelo menos invocar seu espírito de volta. – Ele fez uma pausa. – Vai ver foi pra isso que eles te roubaram. Você devia ter alguma coisa que lhes interessava pro ritual. – Deu um sorriso bem aberto ao ver o rosto de incredulidade e confusão de Bob. – E bem, aqui estou eu. Recusei na hora. Consegui esta habilidade fodástica e me é suficiente. Já o Tom... Aquele moleque é muito otário, resolveu ficar e participar daquilo.
As últimas palavras do esquilo ecoaram baixinho pelo beco até desaparecerem e dar lugar a um incômodo silêncio. Silêncio amenizado pelo mundo urbano, sempre em movimento, alheio àquela confusão toda na qual havia se metido Bob por causa de alguma coisa de sua tia Clóvis. O jovem olhava de um policial à outro.
-Er... É tudo o que sei. Podem me soltar agora?
-Quando?
-Quê?!
-Quando vai ser esse ritual? Você disse algo sobre não nos dar mais tempo. – O coração de Bob batia aceleradamente. Estava com um pressentimento terrível sobre tudo aquilo.
-Hmmm... – O esquilo olha distraidamente ao céu, no qual apenas algumas nuvens acinzentadas se moviam unilateralmente, aglomerando-se, deixando o dia nublado. – Hoje nas notícias disseram que ia fazer sol. – Abaixa a mirada, com um sorriso malicioso. – Já deve ter começado.
Bob se dedicou a encarar aqueles olhos esverdeados e a ofuscar-se ligeiramente com o brilho dos piercings que cobriam o rosto do esquilo antes de irromper para fora do beco, chocando seu ombro contra o dele, fazendo até mesmo Edward cambalear-se para trás. “Senhor Bob!” gritou ele, antes de empurrar o garoto e correr atrás de seu parceiro, em direção a viatura.
Aquilo não era nada bom.
CONTINUA
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